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quinta-feira

Das Escolhas




Tudo quanto pode estar ardendo
Mesmo que me escolham todos os tormentos
Quero poder seguir podendo
Quero poder escolher a dedo
Deduzindo, intuindo, rindo...
Indo além do parapeito
Para tanto tem que haver peito
Pra dizer que aguento
Todo e qualquer unguento
Vivendo depressa o lento
Que passou correndo
Vendo lendo o visto
Vindo de além do inconsciente
Estendendo-se praquele  presente
Dos caminhos que poderiam ter sido
Doídos caminhos escolhidos
Encolhidos na dor de ser

segunda-feira

Da Intentação


Não por comodismo,
Ao ter chego ao aconchego!
Nenhum arcaísmo ou neologismo
Levara me ao erro,
De rebatizar isto: Você em mim...
Posto a isto um fim
A unica saída,
Reconheço,
É recomeço.
De entrar em si,
De estar em si,
De estar em ti,
Me ser com ti.
Atento me.
Intento me.
Tento me.
Tenta me.
Intenciona me.
Intensifica me.
Tentamo-nos.
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............................................Rene Xavier

Do Não


Do não, se não
Do sim do que vês
Pra ver se vem talvez

Razão razoável
Instinto roubado

Do que dizemos pra si
Ou o que pensamos dos outros
Quando dizemos ao pé do ouvido
Tudo aquilo que queria gritar pra todos.
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............................................Rene Xavier

Devo Nada à Ninguem


Devo nada a ninguém
Portanto que ninguém me cobre
Sobre aquilo que não dei a alguém.
Nem toda cobrança vem pelo correio, com selo...
Às vezes pode sê-lo oral
Por gesto, por sinal.
Um discurso de olhar
De quem tem o nariz empinado
Pra esse seu céu todo cinza
Que ainda tem cor
Mas que pra essa sua língua
Úmida não tem sabor.
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Dívidas cobradas
Por promessas não cumpridas.
Dúvidas pagas
Por certezas tão compridas
Todos tão cobrados pela certeza do pagamento de promessas.
Prometo dever. Devir...
Que torçam pra eu ruir
Que torçam o nariz
Só devo à vida toda alma.
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.............................................Rene Xavier

Do Intento

No oceano infundável de meus versos,
Pego me pelo avesso,
Vendo no retrocesso,
Um novo ciclo,
Sem fim, só começo.
Começo a pensar, que de penar,
Pesou meu pensamento,
Só de pensar por um momento,
Naquilo que sou e que invento.
Dando a mim, mendigando o que tenho.
Tenso terno de linho negro.
Que me é nudez, como rosto exposto ao vento.
Tento. Intento.
Por ter aquilo que sou
Por tentar ser aquilo que tenho.
Por tentar mostrar em fotografia
Aquilo que é desenho...
...
Mas calma a vida é assim mesmo,
São dos erros que se fazem os êxitos.
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....................................Rene Xavier

Do Poder

A modéstia é uma mentira que não cola:
Não cole a prova,
Prove que ainda pode-se ser muito mais!
Mas...
Mais vale mil intentos na mão,
Do que um acerto voando.
Tá certo... Vou andando assim,
Pra não fingir
Que sou algo além de mim.
Não procuro espelhos...
Pra que? Pra ser o que vejo?
Quem brilha, ante ao espelho;
Reflete medo
A quem não sabe ver a luz.
Ilumina-te...
Ilumina-nos!
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................................................Rene Xavier

De Todos os Lados

Agora tudo já não esta centralizado
Num canto ou num centro qualquer
Foi tudo espalhado, fragmentado
E tudo pode ser e não ser o que é
De fato uma ilusão de ótica:
Um mundo aparente.
De fato uma ilusão de ética:
Um mundo de aparências.
A descontinuidade,
Tudo que é sólido se desmancha no ar
E sinto que eu não devo ser um
Ante ao fato de que sou tantos
E tanto faz ser diferente ou ser comum
Só não quero linha reta
Quero campo amplo
Só não quero ser enfim
Nem ponto final
Só não quero ser assim e assim
Nem bem, nem mal,
Eu só quero viver
E tudo que tiver que vir que venha
E tudo que tiver que acontecer que aconteça
Estamos aí pra ouvir e pra ver
E pena de você que não vê isso tudo
Que é cego e é surdo!
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...........................................Rene Xavier